A banda Jeremias sem Cão, de Biguaçu, Santa Catarina, se apresentou no Sunset Lounge Café, em Palmas, Governador Celso Ramos, na sexta-feira.
No repertório do trio, que está gravando o segundo disco, intitulado Carpe Diem, os grandes clássicos do rock and roll, duas inéditas e músicas do primeiro trabalho da banda, Metaphorai (2006). Tá aí um grupo que as pessoas precisam conhecer.
Nunca entendi o título de rei dado pela Globo a Roberto Carlos, um cara que todos os anos prefere se apresentar para funcionários da emissora ou para um monte de bestas em cruzeiros.
Tim Maia gostava mesmo era de estar com o seu público, que dançava e se emocionava com as suas canções cheias de balanço e sentimento.
Sebastião Rodrigues Maia, o síndico da música brasileira, pagou o preço por falar tudo o que pensava e pelos excessos fora (e dentro) dos palcos. Seu melhor momento foi na metade dos anos 70, quando abandonou as drogas e entrou de cabeça na Cultural Racional.
Nos dois volumes de Racional, Tim Maia exalta a seita Universo em Desencanto, uma breve viagem pelo mundo da ufologia. Percebendo que não entraria em contato com extraterrestres, o cantor caiu na real e parou com todo aquele papo de imunização racional.
Não só por esses maravilhosos discos, dos melhores da nossa história, os quais renegou até a sua morte, em 1998, mas por todo o talento e a capacidade de entreter o público, também, Tim Maia é o verdadeiro rei da música brasileira.
Nunca fui um grande fã do Pearl Jam. De todas as bandas surgidas em Seattle a minha preferida sempre foi o Alice In Chains, que voltou a gravar depois de 14 anos.
Mas o grupo capitaneado pelo vocalista Eddie Vedder tem os seus méritos, como o disco Ten (1991), um dos melhores dos anos 90, e a poderosa voz de Vedder, que influenciou bandas como o The Nixons e Creed.
Outro ponto que favorece a qualidade musical do grupo é formação constante. Desde o início do quinteto, em 1990, na terra do grunge, Stone Gossard (guitarra base), Jeff Ament (baixo e cello) e Mike McCready (guitarra solo) acompanham Eddie Vedder. O baterista Matt Cameron entrou em 1998.
É difícil apontar destaques em um álbum tão coeso como esse. Backspacer, lançado no dia 20 de setembro pela Universal, é simples e direto. Mais um ótimo registro do Pearl Jam, provando que a banda está mais viva do que nunca.
Farrokh Bulsara, o melhor vocalista da história da música, nasceu em Stone Town, na ilha africana de Zanzibar (hoje Tanzânia), no dia 5 de setembro de 1946.
Seu pai trabalhava para o governo britânico na ilha, que na época era colônia da Grã-Bretanha. Em 1963, por conta da independência de Zanzibar, muitos ingleses e indianos tiveram de abandonar o local.
No ano seguinte, a família Bulsara desembarcou em Feltham, subúrbio de Londres, cidade onde Freddie se formou designer gráfico e conheceu Roger Taylor (bateria), Brian May (guitarra) e John Deacon (baixo), seus companheiros no Queen, formado em 1970.
Nos 21 anos em que a banda esteve ativa foram lançados 13 discos de estúdio, dois ao vivo e a trilha sonora de Flash Gordon. Dentre as obras-primas do grupo estão A Night At the Opera (1975) e News of the World (1977), que ajudaram o quarteto a vender 300 milhões de cópias mundo afora.
No dia 24 de novembro de 1991, Freddie Mercury faleceu de broncopneumonia, em decorrência da AIDS, aos 45 anos de idade. A música perdeu a sua voz mais incrível, que nunca será esquecida, tenho certeza.
Tem alguma coisa mais rock and roll do que abutres? A ave necrófila que batizou o maior moto clube do Brasil inspirou a grande banda do momento: Them Crooked Vultures.
O resultado da união dos líderes de duas das melhores bandas norte-americanas surgidas nos anos 90 (Foo Fighters e Queens of the Stone Age), com o velho baixista do Led Zeppelin é melhor do que a encomenda.
Para não dizer que o trabalho é perfeito, confesso que senti falta da voz de Dave Grohl, apesar de Josh Homme ter brilhado nesse álbum. O ex-baterista do Nirvana poderia ter feito algo mais além de mandar ver nas baquetas, o que ainda faz como poucos.
O Them Crooked Vultures, ao que parece, veio para ficar. Talento para seguir adiante eles têm e muito. Como escrevi no post do Chickenfoot, que não fique só nesse disco. Alguém tinha dúvida de que o disco seria ótimo?
Ouça Bandoliers, sétima faixa de Them Crooked Vultures.
Se alguém tinha alguma dúvida de que o Slayer é o grupo mais thrash metal do planeta, ela acaba após a audição de World Painted Blood, 10° trabalho de estúdio do quarteto californiano.
A banda, formada em 1981 pelos guitarristas Jeff Hanneman e Kerry King, parece ter reencontrado a fórmula mágica de fazer thrash metal. O baterista cubano Dave Lombardo continua espancando o seu kit enquanto o vocalista e baixista chileno Tom Araya vocifera blasfêmias atrás de blasfêmias.
World Painted Blood vendeu 42 mil cópias na primeira semana, alcançando a 12ª posição da revista Billboard. Até agora foram lançados três singles do álbum: Psycopathy Red, Hate Worldwide e a faixa título.
O Slayer continua, através da sua música, a espalhar o ódio por esse mundo pintado de sangue. Sorte a nossa. Melhor que o Christ Illusion.
Ouça World Painted Blood, terceiro single do disco.
Aos 77 anos, Paulo Moura é um dos principais nomes da música popular brasileira. Embora tenha nascido no dia 15 de julho de 1932, em São José do Rio Preto, o instrumentista só foi registrado em fevereiro do ano seguinte.
A Revolução Constitucionalista contra o governo de Getúlio Vargas, iniciada em São Paulo, impediu que seu pai, Pedro Gonçalves de Moura, também músico, o registrasse.
Aos nove anos começou a tocar clarinete e saxofone. Aos 13 já acompanhava o conjunto do seu Pedro. Estudou com o grande Moacir Santos e, em 1959, gravou o seu primeiro disco, com releituras para temas do maestro Radamés Gnatalli. O álbum trazia Baden Powell no violão, além do próprio homenageado ao piano.
Nesses 65 anos de carreira, o músico tem 75 álbuns que levam o seu nome no encarte, entre discos solo, parcerias com João Donato, Raphael Rabello e Yamandú Costa, e as participações especiais. Seus trabalhos mais famosos são Fibra (1971) e Mistura e Manda (1984).
Paulo Moura, uma lenda viva da nossa cultura, passeia livremente entre a música popular e a erudita, não importa se é jazz ou choro, a qualidade permanece a mesma. Que a sua obra nunca seja esquecida, mestre do sopro brasileiro.
Ouça Eu Quero é Sossego, do disco Confusão Urbana, Suburbana e Rural, de 1976, que foi produzido por Martinho da Vila.
O Alice In Chains foi, sem dúvida, uma das grandes bandas dos anos 90 e, ao lado do Soundgarden, o que de melhor surgiu no grunge em Seattle.
Sete anos após a morte do cantor Layne Staley, Mike Inez (baixo), Sean Kinney (bateria) e Jerry Cantrell (guitarra e vocal) retornam com Black Gives Way to Blue, primeiro álbum gravado pelo o grupo desde 1995.
O disco, lançado no dia 29 de setembro pela Virgin Records, traz nos vocais o competente William DuVall (Comes With the Fall), que aceitou a ingrata missão de substituir Staley. Sua voz casou muito bem com a de Cantrell, e o resultado ficou surpreendente.
O som registrado no quarto trabalho de estúdio da carreira do Alice In Chains, que iniciou em 1985, continua fazendo a diferença. Os riffs arrastados e pesadíssimos do guitarrista afastam de vez a banda do grunge. O que ouvimos aqui é um belo exemplo do heavy metal moderno.
O destaque do disco são as harmonias vocais, que conferem aquele ar denso e melancólico que sempre foi a marca registrada do grupo. Quem torceu o nariz contra essa volta antes de ouvir mordeu a língua, pois Black Gives Way to Blue é maravilhoso.
A maior parte dos roqueiros (fãs de heavy metal mais ainda) tem calafrios quando lê ou escuta a palavra eletrônico associada a um grupo de rock. Essa antipatia sem explicação me custou valiosos anos sem ouvir bandas como o Muse.
Como todos têm o direito de se arrepender um dia, rendi-me recentemente ao talento desse trio britânico formado em 1994 por Matthew Bellamy (guitarra, teclados e vocal), Chris Wolstenhome (baixo) e Dominic Howard (bateria).
O novo disco, The Resistance, o quinto da carreira, foi gravado na Itália, produzido pela própria banda e lançado no dia 14 de setembro, pela Warner Brothers.
O álbum traz aquele rock alternativo já consagrado do trio, que tem influências do r&b, da música erudita e do eletrônico. Incrível como conseguem elaborar canções tão distintas sem perder a qualidade.
The Resistance é bombástico, extravagante e melodioso. Mais um belo exemplo da criatividade do Muse, que coloca o seu nome definitivamente entre os grupos mais originais da atualidade. E a lista dos melhores do ano vai se complicando...
Nunca me esqueço da primeira vez em que ouvi o Fuel. O ano era 2000. Meu amigo Helio e eu costumávamos ouvir música no rádio todos os dias. Certa vez, Hemorrhage (In My Hands) tocou e pensamos: "que sonzeira!".
Esse foi o meu primeiro contato com o grupo formado por Carl Bell (guitarra) e Jeff Abercrombie em 1989 na Pensilvânia, Estados Unidos. Conhecidos inicialmente por Small the Joy, mudaram o nome para Fuel a partir da entrada do cantor Brett Scallions, em 1993.
Falem o que quiser, mas a alma de uma banda é o seu vocalista. Antes que me xinguem aos montes, eu sei que existem centenas de grupos em que outros músicos são a referência. Mas o que seria de uma banda como o Fuel sem a voz poderosa de Brett Scallions?
Não que o quarteto fosse a oitava maravilha do mundo, longe disso. Apenas sinto muita falta do vocal cheio de emoção de Brett Scallions, que elevou o som do Fuel ao patamar das melhores bandas pós-grunge. Tá aí a importância de um vocalista.