Para começar o ano, nada melhor do que fazer uma retrospectiva do ano passado. Ainda que atrasado, o post é válido. Foi difícil apontar um disco como o melhor de 2010, que foi muito bom em termos de lançamentos. Prova disso é que os álbuns do Iron Maiden, Ozzy Osbourne e Slash, por exemplo, todos ótimos, ficaram de fora. E aí, quais são os seus discos preferidos de 2010?
A expectativa criada por conta da obra-prima Mabool, de 2004, fez The Never Ending Way of ORWarriOR o disco mais aguardado nos últimos anos da cena metálica. O Orphaned Land não decepcionou, muito pelo contrário. Produzidos por Steven Wilson, os israelenses entregaram outro trabalho fantástico. Só o tempo vai dizer se o novo álbum se equivale a Mabool. No momento, só posso dizer que é maravilhoso.
E o título de melhor guitarrista da atualidade vai para... Jeff Loomis. O que esse robô manda ver nas sete cordas não é brincadeira, é de ficar de queixo caído. O Nevermore enxugou um pouco as partes mais complexas, mas não economizou na pancadaria. The Obsidian Cospiracy soa moderno e mais direto. Elogiar o vocalista Warrel Dane virou chover no molhado, mas não vou me furtar de registrar que o cara, como sempre, impressiona.
O rapper e produtor norte-americano é odiado por grande parte do público e amado por uma parcela ainda maior da crítica, que o coloca como novo rei do pop (ele mesmo faz isso). Não nego que o cara é um grande escroto, mas não posso deixar que isso comprometa o fato de que Kanye West gravou um dos melhores discos do ano, com direito a um vídeo bizarro de 34 minutos chamado Runaway.
Ainda que o Angra tenha gravado Temple of Shadows, o melhor disco do power metal, o Kamelot chegou perto com The Black Halo (2005), e ainda tem à disposição algo que os brasileiros não têm: Roy Khan. O vocalista norueguês faz toda a diferença nesse grupo, que é muito competente e desenvolveu ao longo dos anos um estilo próprio de fazer música pesada. Melhor que o Ghost Opera.
The Evolution of Chaos é uma aula de como se faz thrash metal. O Heathen ficou pelo caminho depois de gravar dois clássicos e foi relegado ao segundo escalão do estilo por isso. O que é pouco para essa máquina de criar riffs chamada Lee Altus, o cérebro por trás do Heathen, uma banda tão boa quanto Exodus e Anthrax, mas que não teve a mesma sorte. Um arregaço!
Se os três últimos lançamentos (1999, 2001 e 2005) do Jamiroquai deixaram a desejar, Jay Kay e sua trupe voltaram com tudo em Rock Dust Light Star, resgatando a energia do Travelling Without Moving. Com ótimos músicos ao seu lado, o vocalista inglês surpreende com um trabalho agradável de ouvir do início ao fim, repleto de groove e hits.
Quando conheci o som do Dirty Sweet percebi que estava diante de uma banda que seria grande. O quarteto californiano tirou nota dez na prova do segundo disco com o seu rock and roll simples, mas muito bem feito e diversificado. Não se surpreenda se daqui alguns anos o Dirty Sweet apareça no topo como um dos grandes nomes dessa nova década. Talento não falta.
Apesar de o Grand Magus chegar ao quinto disco com Hammer of the North, só fui conhecer melhor o grupo neste ano. E olha que já era fã do trabalho do vocalista Janne “JB” Christoffersson com o Spiritual Beggars. A música do trio sueco é o mais puro heavy metal, com destaque para os vocais incríveis de JB, que também se mostra um ótimo guitarrista.
Antes do baterista Mike Portnoy entrar para o Avenged Sevenfold, que substituiu o falecido James Sullivan, nunca tinha prestado atenção na banda liderada pelo vocalista M. Shadows. Nightmare é um disco poderoso, com riffs pesados e solos de guitarra impressionantes. Supresa do ano.
Tinha calafrios quando lia que algum artista estava associado ao gênero eletrônico. Aos poucos, no entanto, fui ouvindo e descobrindo álbuns como Safe In the Steep Cliffs, do produtor Douglas Appling, o Emancipator. A sonoridade moderna e viajante do trip hop me cativou de tal maneira que sou obrigado a reconhecer que o garoto é genial.
My Beautiful Dark Twisted Fantasy, quinto disco do produtor e rapper norte-americano Kanye West, não é apenas o melhor da sua carreira, iniciada em 2004. O trabalho é, também, um marco para a música pop, sem exageros.
Não consigo imaginar outro artista concebendo um álbum como esse, tão bem acabado, extravagante e corajoso. Nunca pensei que adjetivaria um disco de hip-hop como épico. Ouvir MBDTF, a obra-prima de West, como o próprio define, é um desafio, antes de tudo.
O disco, lançado na segunda-feira pelas gravadoras Def Jam e Roc-A-Fella, teve orçamento estimado em U$ 3 milhões. Entre os muitos convidados especiais que figuram nos quase 70 minutos de pura magia estão Jay-Z, Rihanna, John Legend, Alicia Keys, Fergie, Elton John e Chris Rock, para citar somente alguns.
Depois do synthpop romântico e dançante do ótimo 808s & Heartbreak, gravado em 2008, Kanye West volta a ditar as regras. O novo disco veio para destruir os conceitos que temos sobre o mundo pop. Como a Rolling Stone publicou, ninguém metade são teria feito esse álbum.
No ano passado critiquei o comportamento egocêntrico do astro, que se acha o rei do pop. Depois de ouvir My Beautiful Dark Twisted Fantasy estou considerando a ideia. Kanye West tem, finalmente, um motivo para ser arrogante, afinal, ele é o cara. Candidato a disco do ano.
Ouça o primeiro single, Power, abaixo. E não deixe de conferir (aqui) o filme Runaway. Simplesmente imperdível.
Medimos a importância dos artistas por uma infinidade de critérios, sendo os mais usados o total de vendas e a influência exercida em outros grupos.
No caso do cantor e poeta norte-americano Gil Scott-Heron, um dos grandes nomes da música negra em todos os tempos, sua obra tem papel fundamental para o surgimento do hip-hop.
O artista não conseguiu fama nem dinheiro com seus discos, mas a fusão do jazz com o funk e a soul music influenciou as gerações seguintes. O marco de sua trajetória é Pieces of a Man, que traz a clássica The Revolution Will Not Be Televised (veja), considerada uma das primeiras canções do hip-hop.
O que os Stooges e o MC5 são para o punk rock, Gil Scott-Heron é para o hip-hop. O pai de um gênero que ainda não existia. Com uma consciência política e crítica social tão feroz quanto um disco do Public Enemy, o cantor captura com perfeição a ira dos oprimidos na América. Qualquer fã de hip-hop que se preze deveria ouvir isso para entender de onde o estilo veio.
...na cabeça dele. Em recente entrevista ao Scrape TV, o controverso rapper e produtor Kanye West disse não haver ninguém melhor do que ele para tomar a vaga de rei do pop deixada por Michael Jackson.
O cantor americano falou, também, que por ser o cara que mais vende hoje, nada mais justo que ele assuma a coroa e se torne o novo rei. "Primeiro foi Elvis, depois Michael e agora, no século XXI, é a minha hora", afirmou.
Apesar da declaração ridícula, Kanye West tem os seus motivos para pensar assim. Seus três primeiros discos ganharam o Grammy de melhor álbum de rap. São 12 prêmios no total. De todos os quatro trabalhos gravados pelo dono da gravadora GOOD Music, apenas o primeiro não estacionou no topo da Billboard.
Mas West, que nasceu no estado da Geórgia no dia 07 de junho de 1977, não tem semancol. Mesmo que grave trilhões de obras-primas (o que é difícil) e venda até morrer, jamais chegará aos pés de Michael Jackson. E olha que o cara é bom, só devia parar de falar besteira.
Há três anos, escrevique o rap perdeu a sua essência. Surgido como uma forma de expressão dos negros exporem as injustiças da sociedade norte-americana, o estilo hoje transformou-se num propagador da sacanagem.
Outra coisa que me incomoda no hip hop é a questão do gangsta. Obviamente existem as (muitas) exceções. Descobri tardiamente que podemos encontrar coisas boas em todos, ou melhor, quase todos estilos de música. Esse é o caso do Cyne (Cultivating Your New Experience).
O quarteto, formado em 2000 na cidade de Gainsville, Flórida, é composto por Akin Yai e Clyde Graham, ambos MC's, e pelos produtores Michael Gersten e Dave Newell. O resultado da reunião dessas quatro mentes diferentes é extremamente interessante.
O primeiro disco do Cyne, Time Being, saiu em 2003. Dois anos depois gravaram Evolution Fight, considerado um novo clássico do gênero. Ficaram um tempo parados e voltaram com tudo em 2008. Em 12 meses soltaram três álbuns, é mole? O último, Water for Mars (foto), foi lançado em maio via City Centre Offices.
As irresistíveis batidas influenciadas pela soul music criadas por Gersten e Newell servem de base para as letras inteligentes e muito conscientes da dupla Graham e Akin. Aprecie sem preconceito.
Quando penso que não há mais nada a ser inventado na música, eis que aparece o Jeferson, meu consultor e grande descobridor de novos artistas, com o Blu-Swing.
A grande sacada desse quarteto japonês, formado por Yusuke Nakamura (teclado e programação), Show Kojima (guitarra), Shinji Hasuike (baixo) e Yu-ri Tanaka (vocal), é a combinação de ritmos. Revision, único disco da banda, lançado no dia 3 de setembro de 2008 pela Columbia Records, traz o melhor do nu jazz, uma mistura irresistívelde jazz, hip-hop, música eletrônica, funk e soul.
O jazz dançante do Blu-Swing inclui, além das batidas eletrônicas, incríveis linhas de baixo acústico e vocais perfeitos. A cantora de R&B Angela Johnson participa das músicas Forgiveness e What's On My Mind. MC Shade contribui em Childish e Free Breeze.
Além de ter sido uma grata surpresa, ouvir o Blu-Swing me deu plena certeza de que a música de qualidade nunca deixará de existir, apesar de certos "artistas" insistirem em algo que me faz achar o contrário.
Pedro Leite é coordenador da Rádio Itapema, formado em Jornalismo e Filosofia, pós-graduado em Comunicação Social e professor universitário.
Foi chamado para coordenar a rádio Itapema em 1991, com a proposta de fazer uma rádio direcionada para “classe A”. Leite brinca, dizendo que decidiu fazer sim para “classe A”, mas classe A de inteligência, não para os ricos.
Na Itapema as músicas são escolhidas e os CDS comprados, com o objetivo de ser ético com o seu público e com ela mesmo, pois argumenta que o profissional ético, o é em tudo na vida e não só em uma coisa.
A rádio compra os discos das gravadoras antes mesmo deles serem colocados à venda no mercado. Isso é feito com o compromisso com a rapidez, em que os ouvintes têm em “primeira mão” as músicas que eles gostam. O coordenador fala que em outras rádios, recebem os álbuns das gravadoras e, por isso, parece que todas as rádios tocam as mesmas músicas, pois não escolhem.
Leite fala que o público pode ir contra as rádios que tocam música com letras vulgares e/ou preconceituosas, como é o caso do Rap e do Funk. Na sua casa, seus filhos até conhecem através de amigos esses tipos de música, mas na sua residência não se escuta isso.
Tenta conversar com seus filhos sobre essas músicas, que são de péssima qualidade, na opinião do jornalista. “Temos de ser educadores, para que nossos filhos não sejam ‘consumidores passivos’, que eles escolham o que vão ouvir e absorver como o certo para sua vida” finaliza.
O funk e o rap inicialmente eram formas de expressão das pessoas que moravam nos subúrbios dos EUA, mas, atualmente suas letras tratam, na sua grande maioria, o sexo de forma vulgar. “É quase um manual sobre como fazer sexo”, diz Monique Bley, estudante que pretende se graduar em música, se referindo ao funk.
Já o rap é associado à música de “gangsta”, com suas letras carregadas, com palavrões e gírias, que falam sobre o dia-a-dia das favelas, armas e bandidagem. O estilo não é de todo ruim, claro. Ainda temos grupos que fazem do rap a sua liberdade de expressão, de gente que sofre com a pobreza e a injustiça desse país.
Dessa forma as pessoas acabam tendo preconceito e discriminando os estilos musicais, o que não deveria ser o objetivo inicial, o de mostrar aos que não convivem com essa realidade que eles são mesmo marginalizados pela sociedade e precisam de ajuda, para tentar dessa forma amenizar a desigualdade.
Os meios de comunicação dão muito espaço para esses tipos de músicas, pois a ética não conta mais, mas sim a guerra pelaaudiência, na qual o sucesso do rap e, principalmente do funk, os fazem permanecer no ar e a população acaba acreditando que isso é a nossa música e a realidade de nosso país.