Comecei a ouvir música tarde, aos 12 anos, quando descobri o Green Day por meio do meu irmão, Rafael. A partir daí o rock tomou conta da minha vida. Um pouco depois ouvi Megadeth, minha banda preferida desde então, e essa paixão não cessa.Até os 20 anos só gostava de som pesado, não admitia nada vindo de outro mundo que não fosse o meu. Como diria um amigo, tinha pré-conceitos sobre o desconhecido. Minha sorte mudou ao conhecer esse disco, responsável por ter aberto a minha cabeça.
Se tivesse permanecido radical como era em outros tempos não teria a oportunidade de entrevistar Milton Nascimento para o meu Trabalho de Conclusão de Curso. Também não conheceria a beleza da música brasileira e o improviso do jazz, por exemplo. Seria infeliz.
Vagabundo, gravado em 2003 e lançado pela Somlivre, tem um repertório escolhido a dedo. Composições de Jackson do Pandeiro, Martinho da Vila, Itamar Assumpção, João Ricardo e Pedro Luís, cantadas de forma primorosa por Ney Matogrosso, nosso maior intérprete.
A parte instrumental do álbum, a cargo da banda carioca Pedro Luís e a Parede, é de uma riqueza e criatividade impressionantes. Violões, guitarras, saxofones, alaúdes, cavaquinhos e uma infinidade de instrumentos de percussão, tudo milimetricamente encaixado.
Dizer que esse disco mudou a minha vida não seria exagero. A sua importância reflete apenas a qualidade contida nessas 14 canções maravilhosas. Indicado pra quem deseja conhecer a música brasileira.
Veja Noite Severina, do DVD Vagabundo - O Filme.

