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quarta-feira, maio 19, 2010

Cynic retraça sua sonoridade

Se por um lado sobram adjetivos para descrever o talento de Paul Alberto Masvidal na guitarra, suas habilidades como vocalista são mais modestas.

Em Re-Traced, mini-álbum do Cynic lançado na segunda-feira pela Season of Mist, isso fica mais do que evidente. Apesar de ter uma boa voz, Masvidal sentiu falta do Vocoder.

Não vou apontar como o pecado do EP o desempenho de Paul ao microfone, apenas senti falta da voz robotizada característica do genial ex-guitarrista do Death, que consta na fantástica música inédita Wheels Within Wheels.

A expectativa por um novo trabalho do Cynic era enorme por conta do lançamento de Traced In Air (2008), gravado 15 anos depois do mítico Focus, considerado uma obra-prima do metal. Essas quatro regravações darão o que falar. Em vez do peso das guitarras, violões e batidas eletrônicas.

Na primeira audição, estranhei bastante, mas entendi a proposta. Se o fã do grupo levar Re-Traced como uma visão diferente (e mais simples) das músicas, tenho certeza de que gostará do resultado. Sabendo que não será esse o caminho a ser percorrido pelo Cynic, fica mais fácil aceitar e gostar dessas versões. Ainda bem.

Ouça e compare Integral Birth e Integral (regravação).



segunda-feira, janeiro 25, 2010

Melhor disco de 2010

The Never Ending Way of ORwarriOR, novo disco da banda israelense Orphaned Land, lançado hoje na Europa pela Century Media Records, é um dos trabalhos mais aguardados nos últimos tempos.

Após gravar a obra-prima conceitual Mabool - The Story of the Three Sons of Seven (2004), aclamada nos quatro cantos do mundo, o grupo conviveu com a pressão de superar a qualidade alcançada em Mabool.

O produtor britânico Steven Wilson, que ajudou a lapidar o Opeth, teve a missão de levar o Orphaned Land a novos ares. E conseguiu. O som do sexteto formado por Kobi Farhi (vocal), Yossi Sassi (guitarra, piano e cordas), Matti Svatitzki (guitarra), Uri Zelcha (baixo), Matan Shmuely (bateria) e Shlomit Levi (vocal) está ainda mais progressivo.

Poucas bandas podem se orgulhar de ter criado um estilo. Ouvir The Never Ending Way of the ORwarriOR é uma experiência indescritível, tão única como a que tive há seis anos.

A música do grupo é uma mistura de subgêneros do heavy metal como death, doom, folk e progressivo, com elementos orientais, tudo encaixado de uma forma incrivelmente coesa. Ponto para Steven Wilson e sua excelente produção.

Se o novo disco é melhor do que o Mabool, ainda é cedo para dizer. Sei que ainda estamos em janeiro, mas duvido que alguém lance um trabalho superior ao do Orphaned Land em 2010. Que não demorem mais seis anos para gravar outro!

Ouça Treading Through Darkness, faixa quatro do novo álbum.

terça-feira, agosto 18, 2009

Blotted Science: mais uma loucura de Ron Jarzombek

Formado em 2004 na cidade de San Antonio, Texas, o trio de metal progressivo Blotted Science é composto hoje por Ron Jarzombek (guitarra), Alex Webster (baixo) e Charlie Zeleny (bateria).

The Machinations of Dementia vinha sendo preparado desde o início do grupo com o baterista Chris Adler, que saiu por causa de seus compromissos com o Lamb of God.

Derek Roddy (ex-Hate Eternal) assumiu as baquetas por seis meses e também zarpou, dessa vez pelas famosas divergências musicais. Só conseguiram finalizar o disco em 2007, após a entrada de Zeleny, outro monstro no instrumento.

As 16 faixas instrumentais do álbum transbordam técnica e tudo soa como um Spastic Ink mais pesado. Em certos momentos a complexidade é tão absurda que faria inveja ao pessoal do Dream Theater e seus fãs.

Ron Jarzombek apareceu nos anos 80 com os grupos S.A. Slayer e Watchtower. Na década seguinte formou o já citado Spastic Ink e gravou com o Gordian Knot. O Blotted Science é a última loucura do guitarrista, um dos músicos mais criativos e subestimados do estilo, acredito.

Ouça Synaptic Plasticity, do disco The Machinations of Dementia.

quarta-feira, março 11, 2009

O ano do Mastodonte

Se tem uma banda hoje nos Estados Unidos que merece a nossa atenção é o Mastodon. O grupo é um dos principais responsáveis por trazer o heavy metal de volta ao mainstream, fenômeno que a mídia caracterizou de New Wave of American Heavy Metal (NWOAHM), em alusão ao movimento britânico surgido no final dos anos 70.

Formada em 1999 na cidade de Atlanta, Geórgia, por Brann Dailor (bateria), Brent Hinds (guitarra e vocal), Bill Kelliher (guitarra) e Troy Sanders (baixo e vocal), a banda chega ao quarto e provavelmente melhor trabalho da carreira com Crack the Skye. Produzido e mixado por Brendan O'Brien, que já trabalhou com o AC/DC e Stone Temple Pilots, o disco será lançado dia 24 de março, via Reprise Records.

A música do Mastodon é uma improvável e fantástica mistura de estilos. Mais progressivo e ambicioso do que nunca, o som do quarteto ainda apresenta elementos de hardcore, jazz e southern rock. É impressionante como toda essa experimentação e criatividade podem soar de uma maneira tão harmoniosa. Crack the Skye tem tudo para estar entre os melhores lançamentos de 2009. Simplesmente Genial.

Ouça duas músicas do disco, aqui.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Melhores de 2008

Pessoal, 2008 acabou e com ele surgem as incontáveis listas disso e daquilo, respectivas do ano que está terminando. Aqui no Estética Musical você confere os cinco discos mais legais lançados neste período.


Metallica - Death Magnetic

Ouso dizer que Death Magnetic é o melhor disco do Metallica em 20 anos. Desde o lançamento de ...And Justice For All (1988) o grupo não apresenta aos seus fãs um trabalho dessa qualidade. Não importa se as novas músicas têm ecos do passado. É esse o Metallica que todo o mundo quer ouvir. Com Death Magnetic, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo devolvem à banda o seu devido posto de maior banda do heavy metal em todos os tempos.



Delicatessen - My Baby Just Cares For Me

Confesso que conheci o Delicatessen através da revista Caras. Eles estavam tocando para um bando de famosos e nem dei atenção. Um dia ouvi na rádio e gostei. O quarteto gaúcho de jazz e bossa nova, formado por Ana Krüger (voz), Carlos Badia (violão), Nico Bueno (baixo) e Mano Gomes (bateria), compensa a falta de originalidade das composições com uma execução primorosa. Destaque para a bela voz de Ana. Grande surpresa de 2008.



Opeth - Watershed

Já fiz um post sobre esse disco. Com uma formação renovada, o Opeth lança mais um grande trabalho. Mikael Åkerfeldt, guitarrista, vocalista e líder do grupo, não cansa de produzir, na minha opinião, desde Still Life (1999), álbuns originais e de qualidade indiscutível. Watershed mostra o Opeth em sua melhor forma e coroa, em grande estilo, a carreira brilhante desta banda sueca, iniciada em 1990.



Milton Nascimento & Jobim Trio - Novas Bossas

Milton Nascimento dispensa apresentações. Em entrevista para o site Na Onda da Bossa, o cantor afirmou que este disco era uma idéia do próprio Tom Jobim, que pediu para ele gravar todas as suas músicas. Infelizmente, o projeto não foi adiante e, em 2008, Milton gravou este trabalho com Paulo Jobim , Daniel Jobim e Paulo Braga. Clássicos como Chega de Saudade, Samba do Avião e Inútil Paisagem foram registrados na voz deste monstro sagrado da nossa música. Indispensável.



AC/DC - Black Ice

Eu não poderia ignorar um disco como este. Primeiro lançamento do AC/DC em oito anos, desde o bom Stiff Upper Lip. O quinteto formado pelos irmãos Young nos anos 70, na Austrália, é um caso típico de que o fã sabe o que vai ouvir em um novo trabalho. E isso é ruim? Muito pelo contrário. O sucesso das vendas não é por acaso. Black Ice é um grande disco, o melhor da banda em anos.

E os seus discos preferidos, quais são?

sábado, abril 26, 2008

Melhor disco de 2008

Quando você pensa que o Opeth não tem mais o que inventar, Mikael Åkerfeldt (vocalista, guitarrista e compositor) e sua trupe nos pregam outra peça. Watershed é o trabalho mais complexo da história do grupo, formado em 1990.

As entradas de Fredrik Åkesson (guitarra, ex-Talisman) e Martin Axenrot (bateria) deram um novo vigor para o som da banda. O Opeth soa agressivo e viajante como nunca.

Apontar destaques neste disco seria injustiça. Mas não há como deixar passar a performance do tecladista Per Wiberg, que em Burden, um marco na carreira da banda, faz um solo fantástico, no melhor estilo dos grandes mestres do rock progressivo.

Coil, belíssima faixa de abertura, mostra todo o desprendimento do gênio sueco, ao dividir os vocais com a cantora Nathalie Lorichs. Um vídeo foi gravado para a música Porcelain Heart, para divulgar o disco, que sai dia 03 de junho, via Roadrunner Records.

Após álbuns maravilhosos como Blackwater Park e Deliverance, Watershed credencia o Opeth, definitivamente, como a banda mais original da última década.